Contra o genocídio da população negra

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Organizações de juventude, entidades ecumênicas e igrejas divulgaram nesta quinta-feira (dia 12) nota conjunta em que repudiam o assassinato de 13 jovens negros ocorrido no bairro do Cabula, em Salvador (BA), no dia 6 de fevereiro, após operação da Polícia Militar do Estado da Bahia.

“Nós, com distintas vivências de espiritualidade e sonhos de uma paz irmanada com a justiça, nos compadecemos com o povo negro baiano, tão sofrido e tão resistente, que neste momento presencia o desfalecer de suas famílias, o choro e o gemido que arrasta-se pelos cemitérios ao acompanhar os constantes funerais dos jovens filhos da terra”, destaca o documento que leva a assinatura da Aliança de Batistas do Brasil, Associação Afro Cultural e Beneficente de Matriz Africana São Jerônimo – RS, Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE ACT Brasil), Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço, Mutirão: Espiritismo e direitos humanos, Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude do Meio Popular, Pastoral da Juventude Rural, Rede Ecumênica da Juventude (REJU), Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (RENAFRO) e União da Juventude Anglicana do Brasil – Igreja Episcopal Anglicana do Brasil/IEAB.

O grupo denuncia o que caracteriza uma política de genocídio da juventude negra ao lembrar dos jovens assassinados e de tantos outros cujos nomes não são revelados. “As suas mortes sinalizam uma prática cotidiana e presente em muitas comunidades, uma política de genocídio da juventude negra, pobre e moradora das periferias das nossas cidades”.

Segundo a nota, intitulada “Denúncia e alerta público em relação ao extermínio de jovens da Bahia”, a banalização e a espetacularização da violência representam um golpe à dignidade humana. “Percebemos que a grande mídia, os agentes de segurança, os governantes e os apresentadores transformam estes jovens, ‘sujeitos de direito’, em ‘elementos’”, analisa, acrescentando que trata-se de “jovens negros transformados em dados e estatísticas de combate ao ‘crime organizado’”.

As entidades ecumênicas, movimentos de juventude e igrejas não pouparam de crítica o governador do Estado, Rui Costa. Segundo eles, o dirigente “incentiva o racismo institucional e o genocídio da juventude negra”.

O documento chama a atenção para a necessidade de que os assassinatos sejam apurados de forma “ampla e independente”, com a participação do Ministério Público nas investigações. Também sinaliza a emergência da aprovação do Projeto de Lei 4.471/12 na Câmara dos Deputados, “que coloca um fim nos ‘autos de resistência’, e a desmilitarização da segurança pública.

AGEN

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