Migração: o sonho de uma vida melhor

 ( Sakis Mitrolidis AFP)

( Sakis Mitrolidis AFP)

Por Eloy Teckemeier-

Em janeiro de 2016 a Organização das Nações Unidas apresentou um relatório com os números da migração nos últimos 15 anos. Desde 2000 até 2015 o número de migrantes aumentou 41% no mundo, alcançando o impressionante número de 244 milhões de pessoas. A Europa recebeu mais migrantes (76 milhões), seguida pela Ásia (75 milhões), África com 21 milhões, a América Latina e o Caribe com nove milhões e Oceania com oito milhões. Esse aumento do número de migrantes foi maior que o aumento populacional no mundo.

Não é necessário muito estudo para concluir que esse fenômeno da migração tem sua raiz principal na desigualdade social originada pela má distribuição da riqueza no mundo.

O colonialismo do Ocidente sobre as regiões ricas em matérias-primas, principalmente o petróleo, que são necessárias para o desenvolvimento da riqueza ocidental, fazem com que a migração desenfreada chegue a esses números exorbitantes. Vale ressaltar que esse processo não é de hoje, mas é assim desde o século 16, época das grandes navegações.

Segundo falou à revista Novolhar a jornalista Lizandra Carpes, assessora de comunicação do Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz em Joinville (SC, Brasil), a raiz do problema está no capitalismo, que envolve mão de obra escrava, produção em massa e a valorização da mercadoria. “No sistema capitalista a regra é lucrar, não importa de que maneira seja. Aí surgem os apelos da propaganda, que nos faz uma lavagem cerebral diária de que comprar, substituir, descartar é necessário para ser feliz. Somos meros números e metas a serem alcançadas. Na questão das migrações, não é diferente. A grande exploração dos recursos naturais da África e do Oriente Médio é prova disso. Petróleo, manganês, diamante entre outros são produtos utilizados na produção das grandes tecnologias”, finaliza Lizandra.

A migração sempre foi a consequência na busca de uma vida melhor. A começar pelos povos nômades em busca de terras férteis e caça na troca das estações. No século 19 a pobreza, a fome e a falta de terras levaram centenas de elemães a vender seus últimos pertences e comprar uma passagem de navio com o destino, principalmente, EUA e Brasil. Assim como a migração hoje, centenas de pessoas ficaram pelo caminho, morrendo de fome, doenças ou jogadas ao mar em tempestades ou navios superlotados. A migração daquela época também trouxe italianos, ucranianos, japoneses, poloneses e europeus de outras nacionalidades, que no Brasil se instalaram principalmente no sul e no Estado do Espírito Santo no Brasil.

Se a migração já existia desde a época da colonização dos países, o fato é que hoje o aumento siginificativo é em função de situações de extrema pobreza em diversas regiões, somadas a conflitos sociais, políticos e religiosos, além de desastres ambientais. Assim fechamos o ciclo e chegamos novamente na raiz da questão que é a desigualdade social originada pela má distribuição da riqueza no mundo. Para mudar esse quadro caótico é necessário sem sombra de dúvida uma nova política mundial de integração do ser humano com direitos e deveres iguais. Não há justificativas para que no século 21 ainda tenhamos tantas pessoas morrendo de fome e de sede, tendo a nosso alcance todos esses recursos naturais, que infelizmente só estão servindo para uma minoria.

 
Fuente: WACC-Al

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