Não podemos aceitar a proibição do pensamento crítico, declaran organizações sociais e ecumênicos

Testemunhas relatam uso de arma de fogo pelos policiais durante invasão de escola em Guararema (carta Capital)

Testemunhas relatam uso de arma de fogo pelos policiais durante invasão de escola em Guararema (carta Capital)

A Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) classificou “de verdadeiro absurdo” a invasão da Escola Nacional Florestan Fernandes na manhã desta sexta-feira (4).  “A proibição do pensamento crítico, a livre manifestação de ideias, a organização e mobilização populares foram práticas adotadas pelos governos mais autoritários que o mundo conheceu. Não podemos aceitar essa prática em nosso país”, diz CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil.

Diz a nota da CTB: “A truculência hoje está sem limites. O que testemunhamos é o enraizamento de um Estado policial opressor. Não aceitaremos o aviltamento de nossa liberdade de pensamento e ação. A luta do MST, bem como a luta do movimento sindical, é pelo Brasil, por uma nação soberana e livre.”

Policiais civis de Mogi das Cruzes e Guararema invadiram a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP). Segundo relatos de testemunhas, os policiais entraram na escola sem mandado de busca e apreensão, dispararam contra as pessoas na recepção da unidade e prenderam dois militantes. Eles afirmaram que o cerco foi feito por 10 viaturas, e os policiais não estavam identificados.

Os policiais chegaram na escola por volta das 9h25, cercaram o local e pularam a janela da recepção dando tiros para o ar, conforme registraram as câmeras de segurança (vídeo abaixo). Os militantes que estavam presentes afirmaram que os estilhaços, que acertaram uma mulher, eram de balas letais e não de borracha.

Segundo a Delegacia da Polícia Civil de Guararema, a operação visava cumprir um mandado de prisão. Segundo a corporação, eles dispararam um tiro de munição antimotim para proteção, depois que 200 pessoas que estavam no local causaram “confusão e tumulto” contra eles. Ainda segundo a Delegacia, os quatro policiais civis foram feridos durante a ação e encaminhados para a Santa Casa.

“Manifestamos solidariedade pública ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a uma de suas conquistas mais simbólicas e irradiadoras na árdua luta por justiça social e fraternidade. Inaugurada em 2005, a ENFF se constitui como espaço de encontros, formações e intercâmbios que contribuem significativamente para a ampliação e o fortalecimento da atuação de movimentos sociais – não apenas do Brasil, mas da América Latina e de outros continentes” diz Boaventura de Sousa Santos, em nome dos investigadores e das investigadoras do Projeto ALICE.

Contínua: “Esta ação de intimidação e criminalização de um dos mais importantes movimentos sociais do Brasil e de todo continente ocorre num contexto mais amplo de intensificação de ataques a direitos, impulsionado pelo recente golpe parlamentar, jurídico e midiático que culminou com uma troca ilegítima no comando do Executivo Federal e na adoção de uma agenda regressiva e conservadora levada a cabo pelo contestado governo atual. Nos últimos tempos, no Brasil, repetem-se notícias e ocorrências de perseguições e criminalização de movimentos e organizações sociais, de cerceamento da liberdade de expressão e manifestação política por parte de artistas, estudantes e professores, bem como de desrespeito de direitos fundamentais, reforçando um quadro repleto de traços daquilo que temos denunciado amplamente como “fascismo social”.

“É urgente articulação e fortalecimento de redes de Defesa dos Direitos e da Dignidade Humana, redes de segurança para aqueles que são totalmente desprovidas / os e ato contra a criminalização dos movimentos sociais, envolvendo a participação activa das igrejas na América Latina e Caribe . A partir das redes pastorais e sociais CLAI aderem, que se juntar a nós em solidariedade e estamos a trabalhar para isso”, diz Cecilia Castillo Nanjarí  o Conselho Latino-Americano de Igrejas.

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