Fiéis e líderes religiosos de diversas denominações participaram neste domingo da 10ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, na Praia de Copacabana. A tradicional mobilização teve um apelo específico: o da punição dos ataques a terreiros de candomblé. Segundo os organizadores do evento cerca de 50 mil pessoas participaram. Durante os discursos feitos no carro de som, houve defesa de líderes evangélicos em função da classificação tendenciosa usada por traficantes; a cobrança de medidas urgentes para o estado e homenagem a Mãe Beata de Yemanjá (falecida em maio deste ano). O evento teve apoio da Furacão 2000, que ofereceu um dos carros de som além de barracas de acarajé.
O presidente da Comissão Estadual de Combate à Intolerância Religiosa e Babalawo Ivanir dos Santos, ressaltou que a caminhada deste ano é um ‘grito de socorro’ e que os ataques a terreiros são terrorismo. “No momento em que obrigam os próprios adeptos a destruírem seu sagrado com uma arma, estamos diante de um ‘terrorismo religioso’”, afirmou. E acrescenta ainda que a caminhada é feita de esforços, já que não houve apoio da prefeitura. A pastora e Coordenadora do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs Lusmarina Garcia, defende que os ataques não são praticados por verdadeiros cristãos.”Estas pessoas estão tomadas de ódio, que não faz parte da mensagem do Cristo. E declara que essas atitudes não passam de distorções do sentimento religioso”, lamentou.
O membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Boanerges Garro, defendeu que o som do atabaque não podem ser silenciados. “Estamos engajados nessa luta e não podemos tolerar massacres como os de Nova Iguaçu. Temos o livre arbítrio, e não cabe a ninguém impedir as múltiplas expressões da fé”, contou.
A neta da mãe beata de Yemanjá Laremí Oliveira, de 20 anos é candomblecista desde os dois meses de idade e dançava junto com umbandistas e wiccanos. E defende a manifestação de todos os credos. “Religião boa é aquela que não demoniza os deuses dos outros, mas aquela que nos melhora cada dia mais, nos tornando amorosos”.
“Estivemos juntos para afirmar que o valor maior para nós, gente de fé, é o respeito, a solidariedade e o amor. Evangélicos luteranos, anglicanos, presbiterianos, batistas e pentecostais nos juntamos para afirmar que as ações de violência não nos representam e que nós investimos na comunhão com o povo de fé de todas as expressões religiosas. Não ao ódio, sim ao amor”, fica Lusmarina Campos Garcia, pastora da Igreja Luterana, que integra a diretoria do Conselho das Igrejas Cristãs do Estado do Rio.
De julho até esta semana, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI) contabilizou 32 casos de intolerância religiosa,sendo oito em Nova Iguaçu, na Baixa Fluminense, município como maior número de casas de religião de matriz africana da região.
Fonte: odia.ig.com.br-Reportagem do estagiário Matheus Ambrósio