Ecoteologia e Mineração: Espiritualidades, Resistências e Alternativas em Defesa dos Territórios

(Red Iglesia y Minería)

(Red Iglesia y Minería)

BRASIL-

Realizou-se nos dias 5 e 7 de novembro, em Mariana, Minas Gerais, o encontro de Ecoteologia e mineração, com o tema Espiritualidades, Resistências e Alternativas em Defesa dos territórios.  O encontro reuniu agentes de pastoral, militantes e ativistas que atuam em áreas de mineração, representantes de populações indígenas e quilombolas afetados pela mineração, organizações da sociedade civil, teólogas/os e estudiosas/os para um tempo de reflexão, oração e fortalecimento da capacidade de resistir e gerar alternativas ao atual modelo de devastação socioambiental, ligado à expansão da economia extrativista, com ênfase na atividade de mineração.

O encontro teve início na comunidade de Paracatu de Baixo, Mariana – MG, no dia em que se completava dois anos do crime da Vale e BHP (Samarco), que ceifou a vida de 19 pessoas e causou danos socioambientais irreversíveis na região.

Para mais informações sobre esse crime, visite o Dossiê virtual “A lama da destruição”.

Como afirmava Djukuman Krenak, “Hoje é dia de tristeza para mim e para o meu povo, para mim e para meu povo”. Estes dois anos tem sido de intensas lutas das famílias atingidas.

A Rede Igrejas e Mineração nasceu em 2013 para somar na luta e defesa das comunidades atingidas e perseguidas pelos impactos minerários no Brasil e na América Latina. Todos os momentos de acolhida, oração, partilha, reflexão e confraternização foram vividos em uma atitude de redescoberta, escuta, entrelaçamento de experiências e busca de caminhos na perspectiva de fortalecer a ação da rede Igrejas e Mineração e de místicas que alimentem as lutas e resistências dos povos e territórios.

Entre as ressonâncias se destacou:

  • A necessidade de aprofundar a reflexão sobre as experiências de resistência e a espiritualidade que sustenta e fortalece a resistência das organizações e movimentos sociais. A resistência é um processo lento, silencioso e eficaz. É o alimento espiritual que vai dar certeza e força para resistir. As vozes da resistência devem buscar formas de articulação e despertar outras pessoas.
  • A política de retrocesso nas políticas públicas e direitos humanos, o fortalecimento de um fundamentalismo religioso.
  • A força dos poderosos nada tem de sagrado que limite sua ganância e busca sempre formas enganosas para seduzir as mentes e coletividades. Quando as mentes estão colonizadas é difícil dialogar com a coletividade, especialmente a população urbana.
  • O apoio da Igreja é muito importante e em muitos momentos decisivos. Contudo existem lugares que prevalece o diálogo da Igreja local com mineradoras ou agronegócio, que não aceita padres ou líderes que falem de mineração. Em uma determinada diocese a própria CPT foi extinta.
  • O reconhecimento da resistência dos Povos originários e tradicionais que sobrevivem á ameaça secular. Conseguem ficar de pé, sem vender-se, porque corre no seu sangue o amor pela terra. Esse amor que alimenta a luta e resistência.
  • Compartilhar as experiências e estratégias de enfrentamento, especialmente nos espaços ecumênicos, compreendendo esta como uma forma de dialogar com a sociedade.
  • O impacto da mineração na vida das mulheres: aumento da violência e a sua contribuição no processo de resistência.
  • A nossa sociedade é muito complexa, onde há muitas formas de enganação. É necessário um investimento em uma mídia alternativa que ajude a criar consciência, diálogo fora dos muros da Igreja. Apropriar-se de uma leitura crítica e fazer chegar as informações, como processo de empoderamento;
  • Recuperar uma tradição dos que deram a vida pela dignidade dos povos na América Latina, que se colocaram ao lado das vítimas. Uma espiritualidade que fortaleça a resistência.
  • Mapear quais são as nossas estratégias e quais são as estratégias dos opositores; comportamento hipócrita no uso da lei diante das investidas no território; as pessoas são extraídas do seu próprio ser, dos seus próprios direitos. Construir a resistência nas condições em que encontram-se é uma arte ;
  • A força para resistir e lutar encontram na espiritualidade; a força dos pequenos é luz para o mundo; temos que nos unir; aos gigantes de pés de barro podemos vencer; a participação das mulheres e jovens;
  • A estratégia é a formação; dar um jeito nos seminários e casas de formação;
  • A questão é a essência. O capitalismo quer acabar com a essência. Qual é a essência da Igreja, para enfrentar a luta contra a mineração; temos que aprofundar a essência da Igreja.
  • As mineradoras são diabólicas;

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