Relatório de monitoramento global de mídia aponta que serão necessários 67 anos para se alcançar a igualdade de gênero nas notícias

Os resultados da edição de 2020 do Global Media Monitoring Project (GMMP), o maior estudo sobre a representação feminina na mídia mundial, mostram que as desigualdades de gênero continuam a refletir no cenário noticioso. No ano marcado pela pandemia de coronavírus e por contextos de crises sociopolíticas, a sexta edição do GMMP inclui dados de 116 países e cobre 30.172 histórias publicadas e divulgadas em variados veículos da mídia tradicional.

Caso a presença das mulheres, tanto na produção noticiosa quanto nas representações midiáticas, permanecer no ritmo atual, serão necessários 67 anos para fechar a lacuna de igualdade de gênero na mídia noticiosa em todo o mundo.

No Brasil, os dados mostram que 66% das notícias relativas ao dia analisado estavam relacionadas à Covid-19. Apenas 25% dos/as especialistas ouvidos/as nas notícias eram mulheres. 59% das mulheres foram ouvidas para falar de suas experiências familiares. 22% das mulheres foram identificadas por suas ligações familiares (mãe, esposa, irmã) nas notícias e apenas 8% dos homens eram identificados desta maneira.

Entre as mulheres entrevistadas nas notícias, a ampla maioria tinha como ocupação ou cargo uma função política, ou seja, era política, parlamentar, presidente, ministra de governo, líder política ou integrante de organização política. Isto evidencia, portanto, o fato de que mesmo entre as mulheres há uma distinção de classe muito forte. No entanto, entre os sujeitos das notícias que exerciam cargos políticos, as mulheres eram apenas 19% das pessoas.

Em relação à profissão de jornalista, Elizângela Carvalho, coordenadora nacional do GMMP 2020 no Brasil, ressalta que “apesar de um certo equilíbrio numérico entre mulheres e homens jornalistas atuando na produção de notícias no Brasil, as mulheres ainda são representadas de maneira desproporcional na mídia brasileira. E isto se reflete em como a população compreende os papéis sociais de gênero para mulheres e homens”.

O GMMP 2020 no Brasil envolveu 12 grupos distribuídos entre as cinco regiões do Brasil e dois em Portugal, contou com o apoio de 88 voluntárias/os que monitorizaram e analisaram 23 suportes de imprensa, entre jornais, rádios, TVs, portais de internet e perfis noticiosos no Twitter.

Sobre o Global Media Monitoring Project

O Global Media Monitoring Project (GMMP) é a maior iniciativa mundial de pesquisa e defesa da igualdade de gênero em notícias. O relatório 2020 inclui dados de 116 países e análises sobre a representação de gênero nas notícias relacionadas à COVID e, pela primeira vez, considera os papéis dos povos indígenas, pessoas com deficiência, grupos etnicamente discriminados e pessoas idosas nas notícias.

O GMMP é coordenado pela World Association for Christian Communication (WACC), uma ONG global que promove os direitos de comunicação para a justiça social. A iniciativa é um esforço de colaboração de várias organizações de direitos das mulheres, associações de mídia, organizações religiosas, estudantes universitários e pesquisadoras de todo o mundo. A ONU Mulheres, a agência líder das Nações Unidas em igualdade de gênero, tem apoiado o GMMP desde 2010.

O relatório global e o relatório do Brasil estão disponíveis no site https://whomakesthenews.org/gmmp-2020-final-reports/.

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