Ampla solidariedade com a pastora Odja Barros frente às ameaças recebidas

BRASIL-

A Aliança de Batistas do Brasil repudia os ataques à pastora Odja Barros e coloca-se ao seu lado, em amor, cuidado e resistência neste momento. “Qualquer atitude de violência contra uma de nossas pastoras ou um de nossos pastores, é um ataque a todas as pessoas que compõem a Aliança de Batistas do Brasil“. Também o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) repudia as ameaças de morte sofridas pela pastora. “A pastora Odja e a Comunidade do Pinheiro são nacional e internacionalmente reconhecidas por seus trabalhos diaconais, ecumênicos, inter-religiosos e de promoção e defesa dos direitos humanos”, diz. 

A pastora batista e teóloga Odja Barros, que realizou o primeiro casamento entre duas mulheres, celebrado por uma autoridade religiosa em Alagoas, denunciou, na terça-feira (14), que está sofrendo ameaças depois do ato religioso.

De acordo com Odja, um homem, que diz ser de Maceió, enviou áudios em que ameaça matar a religiosa por ela ter celebrado o casamento.

“Disse que ia me matar, que iria atirar na minha cabeça. Disse que sabe onde estou e quem são as pessoas próximas a mim. Isso ultrapassou o que eu, até então, estava administrando de mensagens de ódio”, relatou a pastora à Gazetaweb.

Acolhemos e respeitamos o fato de que igrejas tenham compreensões diferentes em relação à acolhida e realização de benção matrimonial entre pessoas do mesmo sexo. Entretanto, não podemos aceitar que pessoas ou participantes de comunidades e igrejas que, todavia, não acolham plenamente pessoas LGBTQIA+ em suas comunidades, ameacem pastores e pastoras de igrejas que adotaram, por coerência de fé, a plena aceitação destas pessoas.  Impossível não destacar os traços misóginos nos ataques direcionados contra a pastora Odja Barros. São raras as imagens em que a presença forte de mulheres esteja em destaque. As imagens da benção matrimonial permitem ver que igrejas não patriarcais podem ser reais. Alem do mais, estas imagens refletem a coerência profunda da vida vocacional da pastora Odja, afirma CONIC.

Além de enviar mensagens no perfil pessoal da religiosa, o suspeito enviou fotografias em que colocava uma bíblia ao lado de uma arma, reforçando a motivação para as ameaças.

No começo da tarde de hoje, familiares da pastora compartilharam o apelo para que as autoridades alagoanas dessem atenção ao caso. Além de formalizar a situação em um Boletim de Ocorrência, a pastora procurou a Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas.

“Acredito que nesses momentos precisamos ter o máximo de proteção. E entendo que o que eu estou vivendo tem a ver com os direitos humanos. Estou sofrendo esses ataques em função da nossa fé, da Igreja Batista do Pinheiro.”

“A minha mãe recebeu ameaças de morte no Instagram dela. Um louco, que se diz de Maceió, mandou foto de arma, áudios dizendo que estava monitorando ela e a família, que vai dar cinco tiros na cabeça dela por celebrar um casamento homoafetivo”, postou a filha da pastora em uma rede social. “Eu tô sem chão com isso tudo”, completou.

CONIC: As ameaças contra a pastora Odja Barros e contra inúmeras outras lideranças religiosas mulheres são reflexos do contexto político e religioso do país, que tripudia e nega a existência plena das mulheres. O patriarcado se impõe aprofundando medos e disseminando violências. Não aceitaremos estas práticas.

A Rede de teologas, pastoras, ativistas- TEPALI– também manifestou o seu apoio: “Cristianismo que odeia, ameaça, ataca, não segue os passos do Mestre. É por isso que, como mulheres cristãs, feministas, lutadoras por direitos e vidas dignas, mais uma vez abraçamos e apoiamos a tarefa pastoral amorosa e inclusiva de Odja.
 NÃO ESTÁ SOZINHA!  NENHUMA DE NÓS ESTÁ SOZINHA!”

O casamento homoafetivo ocorreu em um salão de festas de Maceió e foi uma das primeiras realizadas no país entre pessoas do mesmo sexo por pastores batistas — a primeira que se tem notícias celebrada por uma mulher, que em muitas igrejas batistas sequer podem exercer a função de pastora.

Apelamos que as autoridades do estado de Alagoas apurem, com rigor, as ameaças feitas, e que as pessoas envolvidas nas ameaças respondam pelos seus atos. Da nossa parte, acompanharemos de perto os desdobramentos desse ato odioso, certos de que a justiça será feita, conclui o Conselho.

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