Aliança de Igrejas Presbiterianas emite nota sobre o alinhamento político de igrejas no Brasil

IAN CHEIBUB (GETTY IMAGES)

O Comitê Executivo da Aliança das Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina (AIPRAL) emitiu uma declaração após os eventos divulgados publicamente no Brasil a respeito de uma denominação presbiteriana que instruía “…seus pastores a orientar os fiéis contra o ‘comunismo’ e a ‘influência nefasta do pensamento esquerdista’…”. A AIPRAL recomenda que suas igrejas-membro preservem a separação entre Igreja e Estado como um princípio da tradição Reformada, e afirma que nenhum sistema de governo ou ideologia é capaz de abraçar o plano de Deus para a humanidade.

Confira a íntegra:

Pronunciamento sobre o alinhamento político de igrejas

A Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina, organização fundada em 1955, braço regional da Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas e que congrega 22 igrejas das tradições reformadas e presbiterianas, tendo em vista a ampla divulgação na mídia brasileira da ação de uma denominação presbiteriana do Brasil, que pautou para a reunião de seu Supremo Concílio, a acontecer no final deste mês de julho a “…aprovação de uma proposta para que seus pastores orientem os fiéis contra o ‘comunismo’ e a ‘nefasta influência do pensamento de esquerda’…” faz saber à opinião pública em geral, do Brasil e do exterior, e à comunidade reformada em particular, em especial à brasileira, o seguinte PRONUNCIAMENTO:

  1. A AIPRAL, desde sua fundação, preza pelo respeito e pela liberdade institucional de cada igreja-membro, conquanto os valores cristãos e regras de convivência fraterna sejam mutuamente respeitados;
  2. Cada igreja membro da AIPRAL é incentivada a exercer sua voz profética no país em que está situada, principalmente denunciando a marginalização dos pobres, a negação dos direitos às minorias, a acintosa distância que separa ricos e pobres, a violência contra as mulheres, o abandono das crianças e dos adolescentes, a injustiça tributária que penaliza os mais pobres, o extermínio dos povos originários (índios, quilombolas e ribeirinhos) e o atentado contra as liberdades individuais, entre outros;
  3. Toda igreja membro da AIPRAL é, igualmente, recomendada a manter e preservar boas relações com o poder público e as autoridades de seus respectivos países, sem, no entanto, se imiscuir com os governos, preservando a separação entre Igreja e Estado, fundamento tão caro à nossa herança reformada;
  4. Toda eclesiana e todo eclesiano membro das igrejas que integram a AIPRAL tem total liberdade de consciência, guiando-se sempre por princípios bíblicos, podendo usar o seu voto como instrumento de mudança e de exercício da plena cidadania, tendo o direito de votar na candidata ou candidato que lhe convier, não importando se essa ou esse professa a fé cristã, mas que tenha profundo compromisso com a dignidade da pessoa humana;
  5. A AIPRAL afirma que nenhum sistema político, nenhum governo, nenhuma ideologia, é capaz de abarcar o plano que Deus tem para a humanidade, logo, nenhuma igreja membro da AIPRAL deve oferecer seu púlpito a nenhum candidato nem alinhar-se a nenhuma vertente política;
  6. Por fim, a AIPRAL esclarece que a denominação presbiteriana aqui citada não integra mais o quadro de suas igrejas membros.

Que o Deus de paz abençoe nossa América Latina e o povo brasileiro em especial.

Rev. Wertson Brasil de Souza
Presidente

Rvda. Dora Arce-Valentín
Secretária Executiva

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