Mulheres indígenas fortalecem suas organizações durante caravana em Rondônia

Mais de 50 mulheres indígenas, de 14 diferentes povos, participaram da Caravana das Originárias da Terra em Rondônia. Foto: Edvan Guajajara
POR ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO COMIN

O 13º encontro da Caravana das Originárias da Terra 2022, da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), aconteceu no território sagrado de Rondônia, na Terra Indígena Sete de Setembro, município de Cacoal.

Durante dois dias, 15 e 16 de agosto, mais de 50 mulheres indígenas, de 14 diferentes povos, ocuparam o espaço da Associação Metareilá, do povo Paiter Suruí, em um encontro de escutas e partilhas e fortalecimento da luta e da ancestralidade das mulheres de Rondônia. Participaram mulheres Paiter Suruí, Tupari, Arara, Uru-Eu-Au-Au, Oro win, Cao oro waje, Sakarabiar, Guarasugwe, Cujubim, Kampe, Wajuru, Parintintin, Sabane e Cinta Larga.

Emergência climática, sociobioeconomia, política partidária e enfrentamento às violações de direitos e violência contra os corpos-territórios das mulheres indígenas foram alguns dos eixos trabalhados pelas mulheres nos dias do encontro. Também houve muita partilha de saberes e acolhimento, cantos e rezos, além da escolha das Mulheres Raízes dos territórios representantes na ANMIGA e da Mulher Semente no estado.

“Ao longo desses treze encontros, a gente pôde ouvir, a partir das dores, a força das mulheres na defesa dos direitos, na defesa dos territórios e em defesa, principalmente, dos seus filhos. Porque, para além dos encontros nos territórios, a gente também escuta essa força de manter os conhecimentos milenares de seus povos, de suas avós, de seus anciões, e que a gente considera muito importante, principalmente quando se pensa num espaço de representação”, afirma a diretora executiva da ANMIGA, Braulina Baniwa.

Caravana foi um importante momento de escuta, partilha e acolhida entre as mulheres. Foto: Edvan Guajajara

Mulheres e organizações fortalecidas

A Caravana em Rondônia foi mobilizada pela Associação das Guerreiras Indígenas de Rondônia (AGIR). Fabricia Sabanê, coordenadora da organização, ressalta a importância do encontro para as mulheres indígenas do estado como uma rica troca. “Justamente por estar trazendo essas informações para as mulheres da base do que é a ANMIGA e o que representa essa Caravana que está percorrendo o Estado brasileiro e os territórios indígenas. Então a vinda dela pra cá trouxe esse esclarecimento para as mulheres da base e também trouxe o fortalecimento pras mulheres indígenas da base que estão presentes aqui. E, pela primeira vez, a gente viu as mulheres à vontade de estar trazendo os problemas que elas sofrem nas bases”.

É o que reforça Maria Leonice Tupari, liderança da AGIR. “Nós, mulheres indígenas, estamos nos sentindo muito fortalecidas com a ANMIGA aqui com a gente. Buscando ter esse compartilhamento de conhecimento, tanto da ANMIGA trazendo as informações, como também as mulheres trazendo suas perguntas das suas bases.”

Além do fortalecimento das mulheres, esse também foi um espaço essencial para se fortalecer as organizações indígenas de mulheres, segundo Fabricia. “Esse momento trouxe mulheres de povos que nunca participaram de uma ação da AGIR e vimos elas aqui em uma grande quantidade e pra gente isso é muito gratificante e cada vez mais fortalece essa união das mulheres com a AGIR. E a gente se fortalecendo, também continuamos fortalecendo as nossas instituições nacionais, como a ANMIGA”.

O fortalecimento das mulheres do estado gera o fortalecimento de suas organizações a nível regional e nacional. Foto: Edvan Guajajara

Caravana segue mobilizada

Após o território de Rondônia, a Caravana das Originárias da Terra 2022 seguiu para a Região Sul do país, onde acontecem encontros no Tekoha Y’hovy, Terra Indígena Guasu Guavirá (Guaíra/PR), nos dias 18 e 19, na Terra Indígena Morro dos Cavalos (Palhoça/SC), nos dias 21 e 22, e na Terra Indígena Por Fi Ga (São Leopoldo/RS), nos dias 24 e 25.

A Caravana das Originárias da Terra em Rondônia foi realizada em parceria com o projeto Moviracá: direito à terra indígena, fruto da parceria entre o movimento indígena e a Fundação Luterana de Diaconia-Conselho de Missão entre Povos Indígenas (FLD-COMIN), financiado pela União Europeia (UE). Também teve apoio da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Associação das Guerreiras Indígenas de Rondônia (AGIR), Associação de Defesa Etnoambiental – Kanindé, Fundación Avina, Instituto Shirley Djukurnã Krenak, Juventude Indígena de Rondônia e União das Mulheres Indígenas da Amazônia (Umiab).

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